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Escrito por Fabio Mattoso às 23h20
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Escrito por Fabio Mattoso às 23h15
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Escrito por Fabio Mattoso às 22h45
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Escrito por Fabio Mattoso às 22h45
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Escrito por Fabio Mattoso às 22h44
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Escrito por Fabio Mattoso às 22h38
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Escrito por Fabio Mattoso às 22h37
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Bebe
Bebe Como se fosse a primeira vez Bebe Com medo do que está por vir Bebe Com a alegria Dos que vivem Bebe Com a agonia Dos que amam Bebe Com a serenidade Dos que vão morrer Bebe Com a certeza De não haver o amanhã. Por Fabio Mattoso e Sergio Basso Março, 2010
Escrito por Fabio Mattoso às 22h52
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Aquele Rosto
Almoçava no mesmo lugar todo dia. Todo dia de segunda a sexta. Sempre no mesmo horário, às vezes antes, às vezes depois. Mas nunca havia visto aquele rosto. Só que se lembrava dela, não sabia de onde, mas lembrava dela. Estava cheio o restaurante, como sempre. As mesas eram para quatro pessoas, sentado a sua frente o colega do trabalho, ao lado dele um senhor desconhecido. Ela sentou ao seu lado. Agora via seu rosto de perfil, tinha certeza que a conhecia. Ou ao menos que já a havia visto. Só não recordava onde. Tantos clientes: trabalhou em bares, lojas, bancos, sempre atendendo, como se lembrar de todos os rostos. Mas aquele ali o incomodava. Não era bonito, mas belo. Não era jovem, mas forte. Um rosto de mulher, que luta. Que sofre. Que se desespera. Que segue em frente. Ficou impressionado. Não interessado, apenas impressionado. E não se lembrava de onde. Seu colega continuava falando, muito até. Assunto importante mesmo. Mas não conseguia ouvir direito. Apenas se concentrava no almoço. Almoço rápido. E na memória que lhe fugia. Terminaram juntos de comer. Não ele e ela. Não ele e o colega. Ele e o senhor a frente. Esperou o amigo terminar. Olhou para ela mais uma vez. Ela continuava a comer. Com suavidade, mas sem perder tempo. O colega terminou, levantaram e pagaram a conta, antes de sair ainda a olhou mais uma vez. Desistiu não iria lembrar. Foi embora para o trabalho. E durante toda a tarde esqueceu aquele rosto novamente. De noite em casa, não conseguia dormir e lembrou-se dela novamente. Não estava interessado nela. Mas alguma coisa nela era importante. Adormeceu tentando lembrar. E sonhou. Sonhou com aquele rosto. Sonhou com aquela boca. Sonhou com aquele nariz. Sonhou com aqueles olhos E as lágrimas nos olhos. E o sangue na boca. E acordou desesperado. Agora, lembrava dela. Havia visto ela uma vez. Em uma rua do seu bairro. Junto dela, seu marido. Ou namorado. Ou noivo. Eles brigavam. Gritavam. Ela chorava, ele a ameaçava. Até que lhe deu um soco. Um barulho surdo. Seco. Logo depois mais choro. Ela caiu. Ela a chutou. Pessoas que passavam o atacaram. Seguraram. Derrubaram. Ele apanhou. Ela chorou. E ele, criança ainda, apenas olhou. Olhou ele. Olhou ela. Olhou nos olhos dela. Nas lágrimas dela. E ali, pela primeira vez, nos olhos lacrimejados dela, viu o amor. Morto amor. Violentado amor. Desvirtuado amor. Mas viu o amor.
Escrito por Fabio Mattoso às 01h25
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Esse é antigo, de 2006, mas de tudo que escrevi, é o que mais gosto - eu acho. E mesmo assim quase foi perdido. Por isso vai dedicado ao meu querido amigo Cris, que com carinho e paciência guardou esse poema e mais dois (que logo publico aqui) durante todo esse tempo. Cris, um grande e fraterno abraço e obrigado por cuidar deles! Fumaça Por entre a fumaça, Vejo seus olhos distantes, Perdidos olhando o horizonte infinito, Que encontra dentro dos meus, Olhos nos olhos, Entre eles a fumaça, Fumaça densa, Que nos mantém distantes, Fumaça, Que não se desfaz. Março, 2006
Escrito por Fabio Mattoso às 21h20
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Notívago, Procuro o sono, Mas ele foge Tento dormir, Mas o silencia me chama Na geladeira, Busco uma bebida, Na estante talvez, Encontro apenas o vazio, Garrafa vazia, Geladeira vazia, Copo vazio. Vazio da noite, Vazio no peito, Vazio.
Escrito por Fabio Mattoso às 04h11
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Cinzas Entro em sua casa, a porta dá direto na cozinha. Tanto quanto tímido, tiro meu tênis e deixo ao lado da porta. Você vai direto ao banheiro, que fica no corredor entre a cozinha e o quarto. Observo a cozinha. Fogão, pia, armário, um radio com cd e vinil e K7 - e é novo. Há também a mesa, com outro armário na parede oposta a parede do fogão. Na parede do meio, uma grande janela de onde se vê o centro da cidade inteiro. Tudo muito bem organizado. Alguns CDs, nenhum vinil, livro ou K7. No armário, algumas bebidas quentes. Você sai do banheiro e vai direto para o quarto. Não te vejo de onde estou - apenas escuto o que fala, aliás, fala sem parar. Fala sobre como foi a noite, como foi o carnaval, sobre como anda sozinha, sobre como me deseja há tempos, sobre não ter beijado no carnaval inteiro e sobre já ser quarta feira de cinzas. Me faz notar que salvei seu carnaval. Não sei o motivo, mas me sinto bem com isso. Falando ainda, você volta à cozinha - que agora percebo também ser sala. Direto a geladeira, me entrega uma lata de cerveja, junto com um beijo delicioso e molhado. Vai ao armário e pega uma garrafa de whisky e serve uma dose generosa. Bebemos no mesmo copo. Eu fico quieto. Ainda não acredito que estou aqui. Como é que um bêbado num boteco, no final do carnaval, vem parar na casa da mulher que é considerada uma das mais lindas e gostosas da cidade? Uma mulher que os homens pagam uma fortuna para terem durante alguns minutos. Uma mulher forte como você. Deve ser meu charme. Minha simpatia. Minha aparência. Ou desespero seu. Você me faz parar de pensar, para de falar um pouco e me beija. Me beija apaixonadamente e eu correspondo. Levanta da cadeira e senta no meu colo, continua me beijando e me abraça. Eu tento avançar, minhas mãos invadem sua blusinha, uma acaricia suas costas, a outra permanece parada, você continua a me beijar te afasto um pouco, suficiente para minha mão buscar seus seios, você tira minha mão e a deixa na barriga. Você para de me beijar e bebe um gole da bebida, eu mato minha cerveja. Levanta e me traz outra. Dessa vez vejo dentro da geladeira. Há cerveja o suficiente. Senta novamente no meu colo e voltamos a conversar. Dessa vez falo mais. Falamos sobre tudo e nada. Tudo não importa. E o nada me faz te entender. E te entendendo, me apaixono. E me entrego à paixão. Mesmo que seja só por essa manhã. Mesmo que seja só por esse dia. E tenho consciência disso e você, você também sabe, melhor do que eu. Continua? ...
Categoria: Contos
Escrito por Fabio Mattoso às 02h36
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Lá do TiraGosto ( http://www.jornaltiragosto.com/blog/ ) Entre a Cruz e o Inferno por Fabio Mattoso - fabio_mattoso@hotmail.com
Já há certo tempo e por muito tempo ainda, eu espero, vivo na noite curitibana. Mas não a noite do Batel, ou do circuito pop-rock-hippie moderninho do Largo da Ordem, tampouco a noite pagodeira e longe da eletrônica. O que vivo é a noite da Cruz Machado e sua região. A Curitiba revelada. Digo a Cruz Machado, porque ela simboliza um estereotipo de lugar em Curitiba, e as ruas próximas são afetadas por essa impressão (Fernando Moreira, Saldanha Marinho, Dr. Muricy, Al. Cabral, etc. e tal). Digo entre a Cruz e o Inferno porque é como costumo chamar o trecho entre uma boate gay, na rua dos chorões, e a Cruz Machado. Estereotipado também são as pessoas que freqüentam, trabalham ou vivem na região. Ali estão os viciados em crack, cocaína, as prostitutas e as zonas do meretrício, também os traficantes e os bêbados, os travestis e os gays, garçons e garçonetes, bailões, bares e botecos. Crianças e velhos. Todos poetas. Que fazem da vida uma linda e triste poesia. Maldita. Marginal. Romântica. Mágica. Mágica, pois emana de um lugar mágico, onde a cidade se revela. A Curitiba que se esconde pelas vielas. A Curitiba que se esconde nas madrugadas. Nos apartamentos. Nos quartos de motéis. Que finge nos shoppings. Essa Curitiba se revela ali. Se revela nos homens que, casados vivem enrustidos, e ali buscam as travestis. Gordas, femininas, gostosas, masculinas. Se revela nos homens que ali buscam o sexo fácil com as meninas, novas e velhas, das boates. Boates caras, baratas, mas com o mesmo whisky falsificado. Nos gays que se escondem nas boates gays, onde podem se revelar sem medo, num espaço de liberdade. Nos viciados que buscam o prazer da droga. Ou a necessidade. Necessidade que por vezes é mais importante que o sexo, que a amizade, que a paz. Ou quem sabe, ali se revelam os viciados em jogo. De baralho, máquinas, roletas. O dinheiro que vai e vem. A bebida que entra em balcões frios e sai em banheiros minúsculos e fedidos. Fedidos, mas que ninguém ali sente - narizes sempre trancados de pó. Um lugar mágico. Onde o tempo é outro. Onde a felicidade é genuína. Genuína mesmo invadida pela necessidade do vício. Um lugar para onde se pode fugir e onde se pode encontrar. Um lugar com o ritmo diferente da cidade. Com o ritmo que uma cidade deve ter. Onde gosto de ver o rosto das pessoas, dentro dos ônibus pela manhã, indo trabalhar, olhando para nós com um misto de espanto e inveja. O agito da cidade, os carros, ônibus, pessoas passando para o trabalho. E nós ali, o tempo que parece parado entre bebida, cigarros, amigos e as drogas. Ou quando a cidade para, nos finais de semana ou nas madrugadas, quando todos parecem estar dormindo, ou em casa descansando. Quando pela cidade até se pode escutar o vento entre os prédios, ou nas árvores dos bairros. E você chega ali, em um bar qualquer, seja na Cruz, na Saldanha, na Rua dos Chorões. E está tudo a mil por hora. Todos agitados, felizes, em movimento. Como um filme. Um lugar de perdedores, um lugar de vencedores. Mas que ninguém da à mínima para isso. Um lugar de felicidade. De tristeza. De liberdade. Um lugar de decadência. Mas onde eu me encontro. Um lugar onde me levanto. Onde sou Rei. Onde todos são Reis. Alguns são Rainhas. Alguns são Reis e Rainhas. Ali, Jesus desce da cruz, entra no inferno e abraça o diabo. E a paz se faz.
Escrito por Fabio Mattoso às 15h06
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Aspirando O pequeno pacote, feito de saco do lixo, (parcialmente) se abre. O monte branco se forma, Talvez amarelo, de pó leve, Sensível ao vento, Como uma duna. Um cartão divide a duna, E da montanha surgem caminhos, Estradas da felicidade E da agonia. Uma nota forma o instrumento, O meio de transporte, Que pelo caminho me leva, Aspirando o ar da felicidade. A nota forma o canudo, Como em um caleidoscópio, No fundo, Vejo sonhos, Aspirando o ar da felicidade.
Escrito por Fabio Mattoso às 21h35
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Padeço Padeço por desejo, Aflito, Perco o rumo, e perdido te encontro. Agora, Ainda aflito, Padeço de sossego.
Escrito por Fabio Mattoso às 20h35
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